Artigos


BENEFÍCIO DA OCLUSÃO PERCUTÂNEA DO CIA EM ADULTOS: IMPACTO DA IDADE.
  • O presente estudo teve como objetivo avaliar os efeitos do fechamento percutâneo de CIA no status funcional, presença de arritmias, tamanho do ventrículo direito e pressão na artéria pulmonar, de acordo com a idade no momento da intervenção.

  • O estudo incluiu 236 pacientes consecutivos, com shunt E – D significativo e sobrecarga de VD, independente de sintomas. Destes, 78 tinham < 40 anos (grupo A), 84 tinham entre 40 e 60 anos (grupo B) e 74 tinham > 60 anos (grupo C). A taxa de sucesso do procedimento foi de 99,6%.

  • Os sintomas mais comuns foram intolerância ao esforço e dispnéia, sendo que quanto mais velhos os pacientes, mais eles se apresentavam sintomáticos (25% no grupo A, 52% no grupo B e 87% no grupo C). Nenhum paciente do grupo A apresentava fibrilação atrial, porém esta condição foi presente em 2,4% do grupo B e 32,4% do grupo C. Os pacientes de maior idade também apresentaram pressão na artéria pulmonar mais elevada e diâmetro do VD maior do que os mais jovens.

  • Pós-intervenção, o tamanho do VD diminuiu de 41+7, 43+7 e 45+6 milímetros para 32+5, 34+5 e 37+5 milímetros para os grupos A, B e C, respectivamente (P < 0,0001), e PAP diminuiu de 31+7, 37+10 e 53+17 mmHg para 26+5, 30+6, e 43+14 mmHg (P < 0,0001), respectivamente. Sintomas estavam presentes em 13, 49 e 83% dos pacientes antes e em 3, 11 e 34% após a intervenção nos grupos A, B e C.

  • Uma diminuição significativa no tamanho do VD e na pressão na artéria pulmonar foi revelada nos 3 grupos, ocorrendo desde o primeiro dia pós procedimento até o terceiro mês. Em valores absolutos, a redução foi igual nos grupos, o que demonstrou que apesar da queda robusta na pressão da artéria pulmonar e tamanho do VD, os pacientes mais idosos continuaram a apresentar números mais altos e mais sintomas do que os mais jovens.

  • Em conclusão, a oclusão percutânea do CIA é seguida de melhora sintomática e regressão da pressão pulmonar e tamanho do VD, em qualquer idade. No entanto, os melhores resultados são obtidos em pacientes menos sintomáticos e com menor pressão de artéria pulmonar. Logo, o procedimento deve ser indicado assim que descoberto o CIA, independente da idade ou da presença de sintomas.

  • REF: European Heart Journal (2011) 32, 553–560


  • Pacientes que realizam procedimentos cardíacos através da via radial podem apresentar menor incidência de insuficiência renal em comparação com a via femoral

  • “A ocorrência de injúria renal logo após cateterismo ou intervenção cardíaca já é uma condição bem conhecida. Porém, a incidência de insuficiência renal crônica (IRC) após estes procedimentos não está bem elucidada.

  • Os registros de 69214 pacientes que passaram pelo laboratório de hemodinâmica na Columbia Britânica, entre 1999 e 2005 foram analisados, sendo constatado que a incidência de insuficiência renal crônica (dependência de diálise ou taxa de filtração glomerular < 15ml/min) nos primeiros 6 meses foi de 0,9%.

  • A via radial demonstrou uma incidência de 0,2% de IRC, enquanto que na via femoral 1,2% dos pacientes evoluíram para IRC (p<0,0001). Mesmo após o ajuste para as características de base, a via femoral ainda continuou a estar associada a maior risco de IRC.

  • A menor ocorrência de IRC após procedimentos feitos pela via radial poderia ser explicada pelo menor volume de contraste usado e também por evitar manipulação de placas de ateroma que costumam estar presentes na aorta abdominal e podem gerar embolização de partículas de colesterol.”

  • REF: Heart. 2010 Oct;96(19):1538-42. Epub 2010 Jul 28


  • Implante valvar aórtico percutâneo em pacientes contra-indicados para cirurgia cardíaca está associado a menor taxa de mortalidade, quando comparado ao tratamento clínico

  • “Durante o último congresso de intervenções percutâneas TCT, sediado em Washington D.C., foi apresentado o estudo PARTNER, que é um trial multicêntrico e randomizado, a comparar o implante valvar aórtico percutâneo (IVAP) com tratamento clínico para pacientes com estenose aórtica, mas contra-indicados para cirurgia cardíaca.

  • Foram incluídos 358 pacientes com idade média de 83 anos, estenose aórtica grave (gradiente ≥ 40mmHg e área valvar < 0,8mm²) e sintomáticos. Foi utilizado o dispositivo balão expansível Edwards SAPIEN.

  • O desfecho primário avaliado foi a taxa de mortalidade por todas as causas em 1 ano, que foi menos frequente no grupo IVAP (30,7% vs 50,7%; p<0,001).

  • Os indivíduos submetidos a IVAP também permaneceram menos sintomáticos em comparação ao grupo controle (25,2% e 58%; p< 0,001). Por outro lado, houve maior incidência de AVEs e complicações vasculares (5% vs 1,1%; p=0,06 e 16,2% vs 1,1%, respectivamente; p<0,001). O desenvolvimento tecnológico dos dispositivos implantados e a atenuação da curva de aprendizado do procedimento devem reduzir essas complicações em breve”.

  • REF: TCT 2010.

Av. Barão de Valença, 716 - Hospital dos Fornecedores de Cana - 3º andar